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[Resenha] Precisamos falar sobre o Kevin.


Título original: We need to talk about Kevin
Autor (a): Lionel Shriver
Editora: Intrínseca 
Ano: 2012
ISBN: 9788580571509

Sinopse: Em Precisamos falar sobre o Kevin, Lionel Shriver realiza uma espécie de genealogia do assassínio ao criar na ficção uma chacina similar a tantas provocadas por jovens em escolas americanas. Aos 15 anos, o personagem Kevin mata 11 pessoas, entre colegas no colégio e familiares. Enquanto ele cumpre pena, a mãe Eva amarga a monstruosidade do filho. Entre culpa e solidão, ela apenas sobrevive. A vida normal se esvai no escândalo, no pagamento dos advogados, nos olhares sociais tortos. Transposto o primeiro estágio da perplexidade, um ano e oito meses depois, ela dá início a uma correspondência com o marido, único interlocutor capaz de entender a tragédia, apesar de ausente. Cada carta é uma ode e uma desconstrução do amor. Não sobra uma só emoção inaudita no relato da mulher de ascendência armênia, até então uma bem-sucedida autora de guias de viagem. Cada interstício do histórico familiar é flagrado: o casal se apaixona; ele quer filhos, ela não. Kevin é um menino entediado e cruel empenhado em aterrorizar babás e vizinhos. Eva tenta cumprir mecanicamente os ritos maternos, até que nasce uma filha realmente querida. A essa altura, as relações familiares já estão viciadas. Contudo, é à mãe que resta a tarefa de visitar o "sociopata inatingível" que ela gerou, numa casa de correção para menores. Orgulhoso da fama de bandido notório, ele não a recebe bem de início, mas ela insiste nos encontros quinzenais. Por meio de Eva, Lionel Shriver quebra o silêncio que costuma se impor após esse tipo de drama e expõe o indizível sobre as frágeis nuances das relações entre pais e filhos num romance irretocável.

"Nós estamos criando nossos filhos para saber o que é certo e o que é errado. Talvez pareça injusto, mas a gente no fim tem que se perguntar sobre os pais."

Kevin Khatchadourian um adolescente de 15 anos, matou 8 pessoas na escola onde estudava, o motivo não ficou muito claro, mas o que chamou a atenção foi o planejamento que ele fez para executar algo tão trágico.

Através de cartas, escritas por Eva Khatchadourian (mãe do Kevin), vamos descobrindo a cada virar de páginas os possíveis motivos que o levou a fazer o que fez.

No fim das contas a maior prejudicada foi Eva, que foi processada por negligência, afinal como ela não pode prever isso? O relacionamento entre mãe e filho nunca foi dos melhores. Mas, Eva continua indo visitar o Kevin no reformatório, a princípio para que não levasse ainda mais fama de negligente, porém um ano depois e ela continuava a ir vê-lo, e não sabe explicar o porquê.

Quando soube do processo que a mãe estava enfrentando, Kevin desdenhou dos acusantes, segundo ele isso tirava todo o seu "mérito". A pergunta que não quer calar é: o que leva um adolescente aparentemente normal, vindo de uma boa família a matar colegas a sangue frio?

"As expectativas são perigosas quando são ao mesmo tempo grandes e amorfas."

Levei quase um mês para escrever essa resenha, assim que finalizei a leitura, eu acreditava que não conseguiria fazer a resenha e por isso deixei para lá. Mas, dias depois, essa história voltou a me incomodar, eu precisava escrever sobre o que senti durante a leitura, o quanto isso me impacto e mexeu com algumas questões. Eu precisava que alguém soubesse o quanto esse livro é incrível.

A leitura não é fácil, a autora abordou assuntos tensos e tocou em algumas feridas, além disso ela escolheu palavras complexas para explicar a dimensão da coisa toda. Ela colocou uma mulher dos anos 90 que sofreu um processo por conta de algo que seu filho fez. E é aí que vemos as semelhanças, mesmo anos tendo de passado, a mulher que é mãe ainda é julgada, condenada por algo que seu filho fez, como se a responsabilidade fosse só dela. Não param para pensar que o (a) filho (a) pode ser de fato ruim e cometer coisas ruins, ou que o pai possa ter sido falho na criação. Não. A mulher continua sendo culpada por algo que não poderia controlar.

Outra questão levantada foi, crianças quando ainda estão na barriga podem saber o que se passa ao seu redor? Porque desde que o Kevin estava na barriga, Eva não conseguia sentir todo aquele amor que uma mãe sente pelo filho, e isso a deixava se sentindo culpada. Uma mãe é mesmo obrigada a amar um filho?

No começo do livro fiquei chocada com o quanto a sinceridade da Eva me machucava, eu me coloquei no lugar do Kevin. Como seria crescer numa família onde a mãe sempre espera o pior do filho? Afinal, é mais fácil deixar a pessoa ter uma pré-imagem de você, do que tentar muda-lá. E foi isso que ao meu ver, o Kevin fez. Ele não conseguia lidar com aquilo, e ao invés de tentar mudar, acabou indo pelo caminho mais fácil, fazer aquilo que a mãe esperava que ele fizesse.

O pai do Kevin era um homem distante, ele amava o Kevin, mas não o conhecia de fato. Não se preocupou em conhecê-lo ou lhe dar limites. Ele simplesmente tinha a imagem de que o Kevin era um santo, que nunca faria nada de mal a alguém.

Em suma, um livro que irá mexer bastante com o seu psicológico, irá te deixar pensando se de fato há um culpado para o que Kevin se tornou. Se há algo de bom em um garoto tão complicado. O quanto as famílias podem influenciar no crescimento e desenvolvimento de uma criança, e como isso pode defini-lá mais tarde. Uma leitura difícil, complexa, mas que super vale a pena, pois há muito a acrescentar. Espero que tenham a oportunidade de lê-lo e se sentirem tão confusos quanto eu.

E aí, conhecem? Já leram? Comentem aqui embaixo, adoraria saber. Beijos e até o próximo post!

9 comentários:

  1. Adorei tua resenha.Gostei muito dos pontos que tu destacou do livro.É um livro bem denso né?
    Só vejo coisas boas do filme e do livro,não vejo a hora de ler.Arrasou a resenha😍

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  2. Já estava na minha lista, mas agora você me deixou mais curiosa!! Eu adoro personagens problemáticos, confesso, e embora o livro não tenha o Kevin como narrador, a mãe dele está envolvida em várias tretas né?! Para mim, já é o suficiente. Você exemplificou ali as questões que ele levanta e ADOREI!!! QUERO!!

    ourbravenewblog.weebly.com

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  3. Olá, há um tempo ouvi falar desse livro e o coloquei nos "desejados". Gosto muito de livros com esse gênero e sinceramente não vejo a hora de comprar esse.
    Gostei muito de como criou sua resenha, o tempo que ficou pensando com certeza foi ótimo pra você analisar mais a história. Muito bem elabora, só aumentou meu desejo pelo livro ❤


    Cupcakeland

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  4. Não vejo a hora de ter esse livro *.* você como sempre arrasa nas resenhas com livros que estão na minha wishlist ! Agora eu morro de curiosidade mesmo 😢 como eu sofro viu! Queria ter mais tempo e dinheiro hahaha


    Beijoo
    www.pintandoasletras.com.br

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  5. Não vejo a hora de ler esse livro e depois ve o filme. Ja tinha lido e visto varias resenhas positivas do livro e do filme e agora a sua so aumentou mais a minha curiosidade. Adorei a resenha. Bjosss!!!

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  6. Não vejo a hora de ler esse livro e depois ve o filme. Ja tinha lido e visto varias resenhas positivas do livro e do filme e agora a sua so aumentou mais a minha curiosidade. Adorei a resenha. Bjosss!!!

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  7. Lembrei agora que já deveria ter lido esse livro. Quando eu soube da sua existência eu já fiquei muito curioso para ler. Esses livros que envolvem questões pisicologicas me interessam muito. Aliás, ótima resenha.

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  8. Eu vi esse livro esses dias e confesso que julguei pelo nome, mas lendo sua resenha vi que não é nada no que eu pensava, nossa eu quero munto ler ele agora...

    Adorei a resenha.


    http://sociedadedolivroblog.blogspot.com.br/?m=1

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  9. Eu vi o filme e fiquei perplexa, imagino o quão perturbador e mais incisivo deve ser o livro! Eu adoro livros que trabalhem sobre o psicológico e que nos façam levantar essas questões. Amei sua perspectiva e os pontos que abordou, realmente, julgaram a mulher sem nem questionar sobre o posicionamento do pai na criação do filho... Bem pesado. E provocador. Ansiosa para a leitura!

    Beijos, Carol
    Blog com V

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